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Apple Pay chega ao Brasil em parceria com banco Itaú

Sistema de pagamentos da Apple propõe trocar a carteira por um aplicativo seguro para iPhone e Apple Watch

Apple Pay: sistema de pagamentos da Apple foi anunciado em 2014

Apple Pay: sistema de pagamentos da Apple foi anunciado em 2014 (Apple/Divulgação)

São Paulo – O serviço de pagamentos via celular Apple Pay começa a funcionar nesta quarta-feira (4) no Brasil. Inicialmente, clientes que possuem cartões de crédito do banco Itaú Unibanco podem cadastrar os dados dos cartões de plástico no aplicativo do sistema de pagamentos e usar iPhone e Apple Watch para realizar transações em lojas físicas no país. A proposta do serviço é transformar o smartphone e o relógio inteligente em substitutos para a carteira.

A Apple estima que mais de 60% dos terminais de pagamento dos estabelecimentos comerciais brasileiros tenham suporte para a tecnologia de comunicação por proximidade, chamada NFC. É por meio dela que os pagamentos acontecem.

Quando o operador do caixa é informado de que o pagamento será com o Apple Pay e programa a maquininha do jeito certo, basta que o consumidor encoste a parte de trás do smartphone sobre a tela dela e coloque o seu dedo sobre o sensor de impressões digitais Touch ID para realizar a transação.

No caso de pagamentos com o Apple Watch, o usuário precisa previamente autorizar o aplicativo no relógio enquanto ele estiver pareado com o iPhone via Bluetooth, e então tocar duas vezes no botão abaixo da coroa digital e encostar a tela no terminal de pagamento. Nesse caso, não há autenticação biométrica–sendo assim recomendável o uso de senha para bloqueio do aparelho, como fazemos com smartphones.

Apple Pay 

Apple Pay: Itaú é o único banco parceiro (Apple/Divulgação)

O Apple Pay é compatível com iPhones SE, 6, 6s, 7, 8 e X. Versões Plus também funcionam com a solução financeira. Todas as três versões existentes do Apple Watch funcionam como Pay.

Por um período de 90 dias a partir da data de lançamento, o banco Itaú Unibanco tem exclusividade no Apple Pay, de acordo com Marcelo Kopel, diretor-executivo do Itaú.

Em uma rara entrevista concedida à imprensa brasileira, Jennifer Bailey, vice-presidente de serviços de internet e de Apple Pay, conversou com EXAME sobre o lançamento do sistema de pagamentos no seu 21º mercado e 1º da América Latina, o Brasil.

Apple Pay 

Jennifer Bailey: vice-presidente da Apple é responsável pelo serviço de pagamentos  (Getty Images/Reprodução)

A executiva disse acreditar o banco Itaú é o “mais popular” entre seus clientes.

Bailey deixa claro que a Apple oferece privacidade ao usuário que paga com iPhone.

“O Apple Pay é muito privado. Não só ele protege seus dados financeiros, mas também seus dados pessoais e detalhes do que foi comprado. É importante entender que, quando você usa o Apple Pay, a Apple não sabe o que você comprou, onde comprou ou quanto pagou por um determinado item. Isso está de acordo com a nossa filosofia de privacidade”, disse a vice-presidente de Apple Pay em entrevista a EXAME.

Quando perguntada sobre como o Apple Pay vai gerar receita para a Apple, Bailey foi evasiva.

“Nosso foco é em criar ótimas experiências para os consumidores usando nossos aparelhos”, disse, sem revelar se a empresa compartilha algum valor com o Itaú a cada transação.

O banco também não informou como será a troca financeira nas compras com o Apple Pay.

Bailey diz ainda que a Apple criou o Apple Pay porque notou que era algo que as pessoas faziam todos os dias e que poderia ser facilitado por meio de sua tecnologia e segurança. 

Débito ou crédito?

Os cartões do Itaú Unibanco compatíveis com o Apple Pay são apenas os que têm a função crédito.

De acordo com Kopel, as transações via débito serão oferecidas nos próximos meses, ainda em 2018.

Compras online

O Apple Pay não funciona somente em lojas físicas. Quem quiser poderá fazer compras em sites usando o sistema. Nesse caso, os iPads também têm suporte, desde que sejam modelos recentes (iPad 3 mini ou superiores). No caso dos MacBooks, apenas os modelos MacBook Pro com Touchbar, uma pequena tela que fica acima do teclado, terão compatibilidade com o serviço.

Apple Pay 

Apple Pay: pagamentos online são autorizados com impressão digital (Apple/Divulgação)

A proposta para as compras online é usar a impressão digital para autenticar as transações, evitando fraudes por conta desse requerimento físico e porque o consumidor não precisa mais digitar seus dados no computador ou smartphone na hora da compra.

O benefício disso para o usuário é que não é preciso criar conta no site ou sequer compartilhar seus dados de cartão de crédito com ele. Tudo acontece diretamente pelo Pay. Lojas como Mobly, do ramo de decoração, Evino, importadora de vinhos, e Ingresso.com são alguns dos primeiros parceiros da Apple nesse lançamento.

Para cancelar compras feitas via internet ou mesmo em lojas físicas, o procedimento é o mesmo de uma compra feita com cartão de crédito. É preciso entrar em contato com a operadora do cartão, o banco Itaú, para fazer o estorno.

Privacidade

De acordo com a Apple, nenhum dado pessoal ou financeiro é armazenado nos servidores da empresa.

A comunicação com os terminais de pagamentos acontece entre o aparelho, que armazena seus dados financeiros em um componente de hardware, e a maquininha de cartão.

Em caso de roubo ou perda, o próprio serviço Find My Phone, usado para localizar iPhones perdidos, poderá ser usado para bloquear os pagamentos via Apple Pay.

Rivais chegaram antes

Serviços de pagamentos via celular de rivais chegaram ao Brasil antes do Apple Pay. O primeiro foi o Samsung Pay, lançado em 2016, seguido do Google Pay, que chegou em novembro do ano passado.

No cenário atual, nenhum outro sistema de pagamentos tem suporte a cartões do banco Itaú Unibanco além do Apple Pay.

Sobre sua ausência em serviços semelhantes da concorrência, o banco informou que preferiu “ter mais tempo para escolher a solução mais adequada aos seus clientes”. Segundo Kopel, 1,2 milhão de clientes poderão usar o Apple Pay, de acordo com dados coletados a partir do uso do app bancário.

No caso da Samsung, pioneira nesse segmento no Brasil entre as empresas de tecnologia, os pagamentos com celular podem acontecer tanto via NFC, como no Apple Pay, como via MST, uma tecnologia que simula a tarja magnética de cartões. Com isso, a base de terminais de pagamentos compatíveis em pontos de vendas é maior.

Desde que foi lançado até março do ano passado, 240 milhões de operações foram realizadas com o Samsung Pay globalmente, de acordo com dados enviados pela empresa a EXAME. A solução de pagamentos via celular da sul-coreana funciona com 20 modelos de smartphones e três relógios inteligentes. No total, nove instituições financeiras funcionam no sistema Samsung Pay: Banco do Brasil, Santander, Bradesco, Banco Inter, Banco Neon, Banrisul, Brasil Pré-Pagos, Caixa Econômica e Porto Seguro. Cartões da Ticket também são aceitos, bem como duas bandeiras (MasterCard e Visa), o que totaliza 86 cartões compatíveis com o serviço.

Treinamento de vendedores

Alguns parceiros da Apple na empreitada do Pay treinarão seus operadores de caixa para transações com iPhones e Apple Watches.

Grupo Pão de Açúcar, Casa do Pão de Queijo e a rede de restaurantes The Fifties devem ter funcionários aptos a receber pagamentos com dispositivos Apple.

Promoções e benefícios

Como a Apple é uma marca que vende eletrônicos de consumo, o seu sistema de pagamentos poderá ser usado na compra de seus produtos. Quem possui cartões Itaú ou Itaucard terá 15% de desconto no pagamento à vista de qualquer aparelho Apple, ou 5% de desconto em compras parceladas em 18 vezes sem juros. Outra opção é o parcelamento em 21 vezes sem juros.

Unidades do Pão de Açúcar e do Minuto darão uma sacola reciclável aos clientes que fizerem suas primeiras compras com o Apple Pay, com valores acima de 50 reais, entre os dias 4 de abril e 4 de julho deste ano. Os restaurantes da rede The Fifties darão uma sobremesa grátis (sundae ou red velvet) no primeiro pagamento com o sistema da Apple.

Fora isso, até 26 de abril, o programa de fidelidade Sempre Presente, do Itaú, dará mil pontos de bônus a quem fizer sua primeira transação usando o Apple Pay.

Funciona mesmo?

Em um teste realizado pela redação de EXAME junto com a equipe de Apple no Brasil, pudemos ver o Apple Pay em ação.

Os pagamentos foram bem-sucedidos em uma cafeteria e em uma livraria no Shopping Morumbi, em São Paulo. Foram usados tanto o iPhone 8 quanto o Apple Watch nos pagamentos observados.

Cadastro de estabelecimentos

Lojas interessadas em aceitar pagamentos via Apple Pay podem fazer cadastro na página oficial do serviço. Vale notar que os terminais de pagamentos devem receber uma atualização de software para habilitar a compatibilidade com o novo serviço de pagamentos.

Exame.com